Projeto Memórias Resgatadas avalia resposta dos municípios à gripe pneumónica de 1918

O projeto “Memórias Resgatadas, Identidades (Re)construídas” (MRIR), que o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa se encontra a desenvolver nos concelhos de Proença-a-Nova, Sertã, Oleiros, Mação e Vila de Rei, está a recolher informação sobre a resposta que os municípios do Pinhal Interior Sul deram às populações durante a pneumónica – ou gripe espanhola – que assolou o mundo em 1918-1919, comparando-a com a resposta que estes mesmos municípios estão a dar atualmente, quando se vive a crise de saúde pública provocada pela COVID-19. A investigação está a ser dinamizada por Ana Isabel Madeira, investigadora responsável, e por Helena Cabeleira, apoiadas por António Manuel Silva, que se encontram a visitar os arquivos municipais. “Andamos à procura de elementos nos livros de atas das sessões de câmara e das comissões administrativas locais, da imprensa local e regional da época, nos livros dos cemitérios e nos livros de registos de correspondência, das entradas e saídas”, refere António Manuel Silva, dando um exemplo: “No dia 30 de outubro de 1918 foram enterradas 11 pessoas no cemitério de Proença-a-Nova”.

Sendo que o objeto principal de investigação do projeto MRIR é a exploração da memória e do património histórico local relacionados com a educação, o ensino e a escola em meio rural, estão a ser avaliados particularmente os aspetos interligados com este tema, nomeadamente “se as escolas fecharam e as aulas foram suspensas”. Por enquanto, ainda é cedo para apresentar conclusões, mas há certos dados, relacionados com Proença-a-Nova, que se destacam, por exemplo, a mortandade da população que foi transversal a todas as aldeias e a fome, tendo em conta a escassez de cereais: é preciso recordar que a Europa estava a sair da I Guerra Mundial, seguindo-se depois a pneumónica que teve também consequências graves.

Paralelamente, a equipa continua a trabalhar sobre os dados já recolhidos para constituir uma Memória da Educação ao nível local, identificando o património material e imaterial associado à Educação e ao Ensino (edifícios, iconografia, biografias de pedagogos e professores, efemérides, museus escolares, imprensa local e regional, estatística escolar ou visitas de estudo). Qualquer pessoa que tenha elementos por partilhar pode contactar a equipa através da página do projeto ou do Facebook.

Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com cofinanciamento do programa Compete2020, Lisboa2020, Portugal2020 e União Europeia.

2021-03-29