Grande Rota da Cortiçada (GR39)

    

 

A Grande Rota da Cortiçada permite realizar 135 quilómetros de descoberta do concelho de Proença-a-Nova, das suas gentes e tradições, do seu património histórico e cultural e, acima de tudo, da sua biodiversidade. A abundância de sobreiros e de cortiços (colmeias) poderá ter estado na origem da Cortiçada, nome por que foi conhecida Proença-a-Nova nas suas origens e que agora batiza a GR39. Numa floresta dominada pelos pinhais e eucaliptais, ainda se encontram resquícios de espécies autóctones, como sobreiros, castanheiros, carvalhos, zimbros ou medronhos.

O percurso, que se encontra sinalizado em ambos os sentidos, pode ser feito a pé ou de bicicleta, convidando-se a que guarde tempo para parar nos miradouros, junto aos cursos de água límpida ou do património arqueológico, histórico ou geológico que se vai revelando a cada passada. Os 135 quilómetros foram divididos em sete etapas de modo a permitir o descanso entre elas, encontrando pelo menos um alojamento local em cada aldeia. Ainda que marcado para Este e Oeste, a nossa sugestão é que siga o por do sol.


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Aventure-se a descobrir o concelho.

 ETAPA 1 | 15,3 KM | PROENÇA-A-NOVA - CIMADAS

Cortiçada, Vila Melhorada e Proençia Nova: foram estes alguns dos nomes por que foi conhecida Proença-a-Nova, vila e sede de concelho que recebeu o primeiro foral em 1282 pelo Prior da Ordem do Hospital, Frei Rodrigo Egídio. Se a história do território é muito mais antiga, havendo vestígios da sua ocupação de há pelo menos cinco mil anos, na vila pode percorrer as ruas mais antigas entre a Casa das Associações e o Largo da Devesa, passando pelas renovadas Escadinhas do Duque; pode descobrir um dos mais ilustres proencenses da nossa história no largo Pedro da Fonseca, junto à Igreja Matriz e à Capela da Misericórdia, e homenagear todos aqueles que combateram na Guerra do Ultramar e Primeira Guerra Mundial no Parque Nossa Senhora das Neves, paredes meias com a Capela de São Sebastião. Embrenhando-se na floresta que nos caracteriza, a 607 metros de altitude, no Cruzeiro, admire a panorâmica sobre a vila e as aldeias que se destacam do mar de verde. Antes de chegar às Cimadas, estude a Pedra das Letras, achado arqueológico que continua a dar que falar pelo significado dos desenhos eternizados na rocha.


Ver Etapa 1: Proença-a-Nova - Cimadas num mapa maior. Pode descarregar o ficheiro para GPS, caso não seja compatível com o seu equipamento, poderá converter aqui.

 ETAPA 2 | 20,4 KM | CIMADAS – ALDEIA RUIVA

No topo da Serra do Vergão, os aerogeradores do Parque Eólico, fonte de energia renovável e limpa, estão em plena comunhão com a natureza. Já junto ao leito da ribeira da Isna, depois de ter atravessado a aldeia que deu nome à serra, encontrará azenhas ou represas: uma constante ao longo de toda a GR39. A etapa termina na Praia Fluvial da Aldeia Ruiva, uma das primeiras represas a ser construídas na região centro para aproveitamento de água para os férteis campos das redondezas e que acabou reconvertida em equipamento de lazer. Surgiu ao lado de quatro árvores classificadas de interesse público, os choupos centenários cuja folhagem - ou ausência -, anunciam as estações.


Ver Etapa 2: Cimadas - Aldeia Ruiva num mapa maior. Pode descarregar o ficheiro para GPS, caso não seja compatível com o seu equipamento, poderá converter aqui.

 ETAPA 3 | 20,8 KM | ALDEIA RUIVA – CORGAS

A Ribeira da Isna, curso de água que alimenta as Praias Fluviais da Aldeia Ruiva, que ficou para trás, e a do Malhadal, que virá, acompanha os caminheiros na parte inicial da etapa, presenteando-os com diversas espécies de fauna e flora que se encontram compiladas em Guia editado pelo Centro Ciência Viva da Floresta. Pode observar a biodiversidade das galerias ripícolas ou então simplesmente apreciar os meandros da ribeira, as levadas ou as paredes de xisto a cutelo. Chegará à aldeia do Malhadal, identificada pelo cruzeiro no topo da povoação e pelo relógio da torre da igreja, aninhada numa das encostas da serra, a ligação dos habitantes à ribeira é tão antiga quanto a própria aldeia. Descubra porquê descendo até à Praia Fluvial do Malhadal. A etapa termina na aldeia de Corgas e, antes de admirar a capela em louvor de Nossa Senhora do Carmo e o casario aninhado na serra, a etapa leva-o à Foz da Brota e à Azenha do Barbeiro, em pontos distintos da Ribeira da Isna.


Ver Etapa 3: Aldeia Ruiva - Corgas num mapa maior. Pode descarregar o ficheiro para GPS, caso não seja compatível com o seu equipamento, poderá converter aqui.

 ETAPA 4 | 15,3 KM | CORGAS – OLIVEIRAS

Antes de adentrar novamente na serra, despeça-se da aldeia: junto ao lagar encontra um monumento de homenagem aos corguenses que combateram na I Guerra Mundial. Ganhe fôlego junto ao souto centenário porque a seguir inicia o percurso até ao ponto mais elevado da Grande Rota da Cortiçada: a 904 metros de altitude, as vistas desafogadas a partir do Cabeço das Corgas compensam o esforço da subida. Está num dos geossítios do Geopark Naturtejo, que integra a rede UNESCO de geoparques pelo relevante património geológico aqui existente, porque as pedras também contam histórias. Na aldeia de Oliveiras, é o xisto que predomina no casario bem cuidado e noutros pormenores que convidam a que se perca no interior da povoação. A dois passos, a Praia Fluvial da Fróia, com água Qualidade de Ouro: se não for para banhos porque o tempo não convide, que seja para apreciar o enquadramento natural da praia.


Ver Etapa 4: Corgas - Oliveiras num mapa maior. Pode descarregar o ficheiro para GPS, caso não seja compatível com o seu equipamento, poderá converter aqui.

 ETAPA 5 | 18,8 KM | OLIVEIRAS – SOBRAL FERNANDO

Calcorreando alguns dos caminhos percorridos pelas tropas francesas aquando da invasão a Portugal, que passou pelo concelho, depressa se vislumbra a Serra das Talhadas e o posto de vigia junto ao miradouro geomorfológico do galego, a 618 metros de altitude. A partir desse ponto de observação, será possível ver a geografia que esteve na origem da estratégia defensiva do reino, assente em fortes e baterias colocados em pontos chave e que estão a ser estudados no Campo Arqueológico Internacional de Proença-a-Nova. Noutro ponto da Serra, as Portas do Vale Almourão, uma garganta epigénica escavada pelo Rio Ocreza nos últimos milhões de anos, destacam-se na paisagem, bem como os cenários da Escola de Escalada. As paredes estão preparadas para que qualquer um se aventure a subir aos céus, para um ponto mais privilegiado de observação. Mas os grifos, esses vêem-se de qualquer perspetiva, eles querendo aparecer.


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 ETAPA 6 | 20,5 KM | SOBRAL FERNANDO – FIGUEIRA

O rio Ocreza é um dos elementos identitários das povoações ribeirinhas de Sobral Fernando e Foz do Cobrão que, antes da construção da ponte, comunicavam através de uma barca que deixou muitas histórias que perduram nas memórias dos seus habitantes. Esta etapa passa pelos férteis campos da freguesia de Sobreira Formosa, onde se destacam os pomares de cerejeiras, as oliveiras e as videiras, e pela própria vila que já foi sede de concelho. Faça um pequeno desvio até à Rua do Comércio e demore-se junto ao centenário Ulmeiro, árvore classificada de interesse público cujos troncos entrecruzados lembram uma escultura viva. Na Aldeia do Xisto da Figueira perca-se nas labirínticas ruas da povoação, com as entradas e saídas protegidas por cancelas para afugentar, noutros tempos, os animais selvagens que rodeavam a aldeia. Agora estão sempre abertas, convidando à sua descoberta.


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ETAPA 7 | 18 KM | FIGUEIRA – PROENÇA-A-NOVA

Anta do Cão do Ribeiro, Anta do Vale do Alvito e Cabeço da Anta, esta última a maior até ao momento encontrada no distrito de Castelo Branco: estes são os três monumentos megalíticos que já foram ou estão a ser alvo de intervenção no âmbito do Campo Arqueológico Internacional de Proença-a-Nova, que pôs a descoberto um património com pelo menos 5.000 anos. As pedras que pesam toneladas foram trazidas de longe, dada a ausência de rochas dessa volumetria nas redondezas, revelando o engenho dos nossos antepassados e intrigando os investigadores quanto à importância destes monumentos que justificasse o transporte dos pesados esteios durante quilómetros. No Centro Ciência Viva da Floresta os mistérios desvendados estão todos relacionados com a floresta e é no espírito do tocar e experimentar para aprender que os visitantes ficam a conhecer melhor esta fonte inesgotável de riqueza que ocupa 80% da área do concelho de Proença-a-Nova, como teve oportunidade de comprovar durante os 135 quilómetros da nossa Grande Rota da Cortiçada.


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