Arquivo Municipal

 

 

“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”. Emília Viotti da Costa

O Arquivo Municipal vai disponibilizar/destacar documentos que pela sua importância histórica, factual ou meramente ilustradora de alguma situação caricata, fazem parte do legado histórico e documental deste concelho.

 

Registo dos Preços dos Géneros

O documento que apresentamos data do ano de 1859 até ao ano de 1901. Encontra-se divido em três cadernos. Estes serviam para registo dos preços dos cereais, do azeite, do vinho, aguardente e vinagre. Este registo era feito em todas as semanas e meses do ano, como ficou determinado na circular n.º 66 de 27 de Outubro de 1853. Este documento pode ser consultado na íntegra, presencialmente, no Arquivo Municipal.


Proença na I Grande Guerra

Quando se aborda a participação de Portugal na I GRANDE GUERRA (1914-18) o primeiro pensamento vai para a intervenção no teatro europeu, na Flandres, e logo vem à ideia o desastre de 9 de Abril de 1918, em La Lys. Mas, na verdade, não foi apenas a partir de 1916 que os 55.000 militares portugueses começaram a afrontar as forças alemãs na Europa. Portugal mobilizou, logo a partir de 1915, cerca de 35.000 militares metropolitanos a que se juntaram mais 20.000 africanos para defender o sul de Angola e o norte de Moçambique das ambições alemãs. Travaram-se combates violentos, nomeadamente nas margens do rio Rovuma, norte de Moçambique. No total, nas várias frentes, chegaram a estar mobilizados 110.000 homens.

O documento que agora se publica, encontrado no Arquivo Municipal, é uma preciosa fonte histórica sobre a participação do concelho de Proença nesse grande conflito mundial. Feito cerca de duas décadas depois, trata-se de um levantamento sobre a situação dos antigos combatentes, então com idades compreendidas entre os 38 e os 43 anos. Procurava-se indagar da sua naturalidade por freguesia, dos postos, dos locais onde combateram, das unidades por onde foram recrutados, se recebiam pensões do Estado, se eram inválidos, se podiam angariar meios de subsistência, a profissão e familiares a seu cargo.

Numa breve observação se conclui que foram identificados 127, em todo o concelho, que a maioria combateu na França, mas muitos também pelejaram em África na defesa do império, enquanto uma pequena minoria andou no mar. Estão assim distribuídos: Alvito, 11; Montes da Senhora, 17; Peral, 18; Proença-a-Nova, 52; S. Pedro, 16 e Sobreira Formosa, 13.

Tal como no resto do país, também em Proença-a-Nova a esmagadora maioria dos homens eram camponeses que, de um momento para o outro, se viram transformados em soldados e foram enviados para uma guerra que não compreendiam. Curiosamente, na listagem apenas aparecem um capitão, um tenente e um alferes, o que deve dar uma ideia do nível sociocultural da população do concelho.

Prof. António Manuel M. Silva


Passaporte de Trânsito

Passaporte de trânsito concedido a José Rodrigues Pereira Junior, natural de Sobreira Formosa, para Lisboa por mar e terra, dado a oito de junho de 1856, pelo Administrador do Concelho.


Revista "Concelhos de Portugal"

Este mês apresentamos o concelho de Proença-a-Nova no início dos anos 70, retratado na revista Concelhos de Portugal. O objetivo da revista era “percorrer a história e reavivar os traços deixados pela gente da terra ou região de que se ocupam; depois, contactar de perto o povo que hoje a habita e saber dos seus problemas e aspirações”. Objetivo este que foi muito bem conseguido, em todas as freguesias do Concelho. Visitem as nossas (vossas) memórias. Vale mesmo a pena!


Assis Roda

O documento deste mês fala-nos sobre Assis Roda e foi apresentado pelo professor António Silva no passado dia 11 de maio na Casa da Comarca da Sertã, em Lisboa.

Foi elaborado por este com o cuidado de quem se baseia em  factos e pesquisas de grande valor para o nosso património intelectual e de quem se recusa a deixar morrer a nossa história.

Todo este trabalho foi prontamente disponibilizado ao nosso arquivo municipal e a todos os interessados nas memórias locais.


Jornal "A Cortiçada na Revolução"

Na madrugada de 25 de abril de 1974 Lisboa assistiu a um movimento militar com o objetivo de derrubar o regime vigente. Este dia ficará para sempre como o dia em que Portugal deu os seus primeiros passos em direção à democracia.

Aqui é recordado através do jornal A cortiçada na revolução, um entre vários jornais locais que foram circulando e que refletem um pouco sobre o nosso concelho e a passagem por esta “revolução dos cravos”.

Estes e outros documentos podem ser consultados no Arquivo Municipal.


Aviso à População Sobre a Escassez da Água

Em 2013 celebra-se o Ano Internacional de Cooperação pela Água e este mês, a 22 de Março - o dia Mundial da Água - não podíamos deixar de fazer referência a este bem precioso que faz parte do nosso dia-a-dia de uma forma até banal. Basta abrirmos uma torneira! Mas nem sempre foi assim.

Apresentamos este documento de 1981, um aviso à população da vila de Proença, feito pelo então presidente da Câmara Padre António Manuel da Silva Sousa, sobre a escassez de água e os motivos que levam ao seu corte, para um abastecimento mais restrito, apenas das 08h às 15h. Vale a pena ler!


Receitas Médicas do Séc. XIX

Os documentos que apresentamos este mês pertencem ao século XIX. Receitas médicas passadas a crianças expostas ou abandonadas num contexto de ilegitimidade e pobreza. Estas datam de 1880 e algumas ditam assim:” Para o exposto João em poder da ama Mathilde da Conceição. Receita de xarope de balsamo de tolu --- 30 grammas. Para tomar 3 colherinhas ao dia.” Esta e outras que pode ver aqui.

Outros documentos que fazem parte do nosso arquivo relativamente aos expostos do nosso concelho e que são um importante testemunho histórico-social sobre este tema.

Designação Datas extremas Quantidade
Registo de entrada dos expostos 1803-1875 4 Livros
Livro de registo da entrega provisória e definitiva dos expostos às amas externas da estação desta vila 1876-1881 1 Livro
Livro de registo dos expostos  1881-1919 1 Livro
Livro de registo dos expostos, entradas e saídas na estação da vila 1875-1877 1 Livro
Livro de registo da entrega provisória e definitiva dos expostos às amas da estação desta vila 1876-1881 1 Livro
Livro de registo das folhas de vencimento das amas dos expostos  1869-1917 3 Livros
Livro de registo das cartas de guia de criação das amas externas e mães subsidiadas 1875-1882 1 Livro
Livro das revistas dos expostos 1834 1 Livro
Livro de assentamento dos expostos conforme o artigo 46º do Regulamento dos expostos de 15 de Outubro de 1880 1881-1904 1 Livro

Livro de Sessões Camarárias

Voltamos atrás no tempo. Como seria uma sessão de câmara há cem anos atrás? Quais seriam os assuntos de ordem do dia? Apresentamos aqui uma ata de sessão de câmara datada de 31 de dezembro de 1912, gerida por uma Comissão Municipal… há cem anos atrás.

Alguns assuntos abordados, como a aprovação definitiva do orçamento da receita e despesa do município: “A comissão passou a examinar novamente o referido orçamento e achando-o conforme aprovou-o definitivamente sendo a sua receita de 4.626,110 reis e a despeza de igual quantia”.

Ainda, “Concedeu autorização a Domingos Farinha, desta vila para poder temporariamente deitar mato na travessa que vae da deveza para os Montes Claros, visto reconhecer-se ser difícil ali o trânsito”.

“Nomeou para encarregados da iluminação pública e dar corda aos relógios, durante o ano de 1913, os seguintes indivíduos”. Nomeou ainda o guarda do cemitério e autorizou que se efectuasse vários pagamentos como por exemplo “ da quantia de 2.000 reis para Bernardino Laia Franco de Sobreira Formosa, importância de uma lata com petróleo que forneceu para a iluminação publica dessa vila”.

O presidente da Comissão Alfredo Lopes Tavares apresentou ainda algumas propostas para consideração, como por exemplo: “que fosse criado um mercado nesta vila nos quartos domingos de cada mez, que deverá constar de toda a espécie de transacções à exceção de gados bovinos.”

Estes são apenas alguns assuntos, mas está convidado a fazer a leitura integral.


Manifesto de 30 de Março de 1811

Por meados de novembro de 1810, o exército de Massena começa a retirar das Linhas de Torres em direção a Santarém. Era o princípio do fim da terceira invasão francesa. O final desse ano e o início de 1811 assiste à retirada do grosso das tropas invasoras. Massena sai do país a 05 de Abril de 1811, por Almeida. A viagem até França foi penosa e sempre fustigada pelas forças anglo-portuguesas.

Para trás ficava um Portugal destroçado. A família real portuguesa permanecia no Brasil, o reino era praticamente administrado pelos generais ingleses, os campos devastados, as oficinas destruídas, o comércio desarticulado, enfim, Portugal estava resumido à dupla condição de colónia brasileira e de protetorado inglês.

O governo de então, sentindo necessidade de elevar a moral nacional e estimular o ânimo do povo, faz distribuir por todo o território o “manifesto”, datado de 30 de Março de 1811, que se apresenta de seguida e que se encontra no ARQUIVO MUNICIPAL. Nele, depois das “congratulações” pela expulsão dos franceses, agradece os apoios de todos, especialmente dos ingleses, sem esquecer a “lealdade, patriotismo, constância e humanidade” do povo português. Recorda de seguida a solidariedade de todos os “concidadãos” que receberam de “braços abertos” e “liberalmente” os refugiados, “todos os que tiveram de ser deslocados das suas terras e aportaram à capital sem abrigo nem meios de subsistência”. Finalmente, apela ao completar da obra que se traduziria na “restituição dos fugitivos aos seus lares de origem e tornar as povoações habitáveis”.

Como o tesouro público estava depauperado, sem recursos, o governo português de então apelava à generosidade dos cidadãos particulares, ao governo Britânico, “nossos generosos aliados”, e à união entre todos. Terminava com um aviso solene: “se alguém tentar semear a discórdia, arranquemos do nosso seio essa víbora venenosa e selemos com o nosso sangue a ratificação da nossa indissolúvel aliança”.

Prof. António Manuel M. Silva


Livro de Provimentos sobre Posturas do Concelho

O documento mais antigo que o arquivo municipal tem sob custódia é um livro de provimentos sobre posturas do concelho. Data de 1710, sem capa, pelo que as primeiras páginas estão bastante danificadas e de difícil leitura como podemos ver na imagem. 

Sobre o que se provia, no ano de 1729 lemos assim : “aos vinte dias do mês de Março do mesmo anno nesta villa de Proença a nova nas casas aonde estava apresentado o Doutor Ouvidor desta Comarca António Simões da Costa em correição. Ahi mandou a mim escrivão fazer este auto dizendo nelle que elle estava em correição nesta vila e que queria nelle prover sobre o bem público e posturas do Conselho […] Achou mais que os moradores desta vila hindo de fora della faziam estrada pello meyo do valle aonde se chama as vinhas do Peral de cuja serventia resulta damno e prejuízo aos moradores do Galisteo Simeiro […] provendo mandou que os offeciais da camara mandem […] nesta villa e suas aldeas para que nenhuma pessoa […] aqui em diante passar e fazer caminho pello meyo daquelle valle com pena de mil réis applicados para as despezas deste conselho […] Achou que os vereadores do anno passado não tinham dado cumprimento ao que lhe deixou sobre o conselho e do chafariz da Santa Margarida e porque a falta desta execução tem dado muito prejuízo ao povo mas ainda com pouca observância dos seus moradores provendo mandou que os offeciais da camara e atuaes façam a ditta obra no tempo de hum mês a custa dos vereadores passados”.

O espólio de livros mais antigos do arquivo encontra se digitalizado pelo que o seu acesso, está disponível, a todos que estiverem interessados na sua consulta.