Câmara planta mil medronheiros em terreno perto do Aeródromo Municipal

A Câmara Municipal de Proença-a-Nova vai plantar mil medronheiros num terreno recém-adquirido num dos topos do Aeródromo Municipal, nas Moitas. “Comprámos este terreno por estar dentro do cone de aproximação ou descolagem das aeronaves e por incrementar a segurança da operação do Aeródromo. O eucaliptal aí existente foi cortado e agora vamos plantar medronheiros, uma planta autóctone que deve ser uma das apostas a fazer pelo nosso território, tendo em conta que contribui para a gestão florestal e pode ser um importante complemento de riqueza aos seus proprietários”, referiu João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, na abertura do curso “Investimento na Cultura do Medronho” que se realizou nos dias 10 e 11 de março no Centro Ciência Viva da Floresta.

O autarca considera que o país, no seu conjunto, “não teve, até hoje, políticas públicas articuladas entre os diversos sectores e ministérios que deem resposta aos desafios do ordenamento florestal e, dessa forma, é o país que não tem tirado a riqueza que a floresta fornece, desde o coberto do solo até à copa”. João Lobo refere ainda que, “com os vários diplomas sobre a reforma da floresta e a discussão que está a propiciar em todos os sectores, terá que ser uma oportunidade para, de forma corajosa, concretizar um processo que todos, estou certo, desejam ver implementado”.

A formação sobre o medronheiro incidiu numa planta com elevado valor comercial que nasce de forma espontânea em vários pontos do país, mas que ainda está a ser deficientemente explorada. Na perspetiva de Zulmira Campelo, do Fórum Florestal – Estrutura Federativa da Floresta Portuguesa responsável pelo curso, as pessoas ainda não estão sensibilizadas para esta cultura: “Acho que é um trabalho que temos que continuar a realizar para que mais pessoas percebam que o medronho é uma boa aposta”, considera. Além disso, a aguardente de medronho, um dos produtos mais conhecidos, não é aquele que permite a maior rentabilidade ao produtor. Nesse sentido, este curso especializado focou também a questão económico-financeira e da comercialização: “não interessa só cultivar medronho, tecnicamente é muito importante, mas também temos que saber quais são os vários indicadores financeiros”. A formação, que incluiu a visita a dois pomares, pretendeu por isso incentivar mais pessoas a apostar nesta cultura. “Ainda estamos muito aquém daquilo que podemos produzir”, afirma Zulmira Campelo.

2017-03-13