Património Comunitário

  

 

PONTES

 Ponte Romana da Pracana

Se as pedras que formam o pavimento irregular da ponte da Pracana falassem, teriam 20 séculos de história para contar. Falariam do desenvolvimento do comércio de vinho e azeite durante a ocupação romana da Península e do esforço de viajantes vergados por trajetos de dias ou mesmo semanas de viagem. Situada na fronteira entre os concelhos de Proença-a-Nova e Mação, a ponte romana terá sido construída entre o século I a. C. e o primeiro século da era cristã.

Presume-se que a ponte estaria integrada no antigo sistema viário que vinha do norte, passando pela “via mourisca”, através da Amêndoa e Envendos, em direção ao rio Tejo. Uma possibilidade reforçada pela existência de um troço de cerca de seis metros da primitiva estrada romana, que passaria ao longo da ribeira, feita de lajes poligonais. As técnicas empregues na construção da ponte e a ausência de siglas são apontadas pelo Sistema de Informação para o Património Arquitetónico como características que atestam a origem romana da infraestrutura e da rede em que se inseria.

A rede viária do Império Romano chegou a atingir os 150 mil quilómetros e foi essencial para o comércio da época. A sua extensão e funcionalidade perdurou muito para lá do fim do império e muitas das atuais estradas seguiram o mesmo traçado. Ditados populares como “todos os caminhos vão dar a Roma” dão testemunho dessa importância atribuída à mobilidade.

O tabuleiro inclinado da ponte assenta sobre seis arcos de dimensões diferenciadas, com os dois maiores ao centro e decrescendo para as extremidades. A estrutura, com as características guardas laterais, apresenta a montante quatro talhamares (bases angulares que nos pilares têm a missão de quebrar a força da corrente), sobre os quais se observam quatro canículos para escoamento das águas provenientes das cheias. Quanto aos materiais utilizados, o paramento é em quartzite e as aduelas em xisto e quartzite, com argamassa de consolidação.

Nas análises comparativas do património local, é apontada como ponte gémea da estrutura de Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda, próxima da localidade com o mesmo nome, em Alter do Chão. Estima-se que tenha sido construída entre o final do século I e início do século II, estando classificada como monumento nacional desde 16 de junho de 1910.

No caso da ponte da Pracana, foi classificada como imóvel de interesse público pelo decreto nº 251/70, no qual se encontra uma extensa lista de pontos de interesse classificados a nível nacional. A salvaguarda foi atribuída pelo então designado Ministério da Educação Nacional, através da Direcção-Geral do Ensino Superior e das Belas Artes.

Desde 1992, a ponte ganhou a companhia de uma nova estrutura em betão armado, construída a montante, a uma cota muito superior. O desnivelamento dificulta a sua observação por quem passa na estrada de ligação entre São Pedro do Esteval e a Ladeira, mas uma paragem na zona ou a opção pelo percurso pedestre PR7 são a melhor forma de descobrir este património. A designada Rota dos Estevais, com início e fim na biblioteca de S. Pedro do Esteval, tem uma extensão de 7,8 Km e acompanha a confluência das ribeiras da Pracana e da Freixada, permitindo ainda observar o Moinho Novo e o Açude das Brazinhas.

 

Ponte do Alvito

Em 1839, a Câmara de Proença ofereceu 100 homens, 100 carros (de tração animal) e 60.000 réis em dinheiro, como auxílio para se fazer uma ponte sobre a ribeira do Alvito. Poucos anos depois era inaugurada a travessia que rasgou o fosso escavado pela ribeira, criando um ponto de passagem entre o relevo difícil das serras das Talhadas e do Muradal.

Antes da construção, no reinado de D. Maria II, a passagem era feita de barca ou a vau, como é referido na invasão francesa de 1807: “Desceram o Rio Alvito até encontrarem o vau que se situa ligeiramente a jusante do esporão do ponto de cota 26, junto ao Casal da Cerejeira”.

Por aqui passava a “estrada de carro” ou Estrada Real, que ligava Castelo Branco a Proença-a-Nova, dando também acesso a Abrantes e Lisboa. O facto de se tratar do único local para romper a barreira formada pela continuidade entre as duas serras explica a localização do conjunto de fortins e baterias da linha de defesa sobranceiros à passagem sobre as ribeiras do Alvito e da Fróia (concelho de Proença-a-Nova). Essa mesma razão justifica que tenham existido sucessivas movimentações militares naquela área, pelo menos a partir de 1704.

Construída em alvenaria de xisto, a ponte segue o sistema de arcos introduzido pelos árabes. Os contrafortes que visavam proteger a estrutura das correntes encontram-se um pouco danificados, sinal da passagem do tempo. A mesma passagem que explica o desaparecimento da inscrição com o ano de inauguração, até há algumas décadas visível num dos pilares.

Com a massificação do uso do automóvel, a ponte sofreu o desgaste causado por um tráfego muito superior àquele para a qual foi dimensionada. A construção da ponte do Vale da Mua, sobre o rio Ocreza, e consequente desvio da circulação entre Proença-a-Nova e Castelo Branco alterou por completo a utilização da travessia. Hoje serve quase exclusivamente o trânsito local e após as 21 horas poucos são os veículos que se fazem ouvir nas duas casas construídas mesmo ao lado da ponte, onde residem atualmente apenas três pessoas. Os vizinhos mais próximos, do outro lado do rio, já pertencem ao concelho de Castelo Branco.

Um dos elementos curiosos das guardas laterais da ponte é o facto de haver, na união de cada uma das pedras que as constituem, um pequeno seixo de xisto colocado transversalmente – como se pode ver numa das imagens. Essas pedras eram calibradas para ir medindo, ao longo do tempo, alguma oscilação ou deformação na ponte, cumprindo uma função idêntica à dos atuais extensómetros usados nas obras de arte. Nas pontes deste período, só os arcos exteriores eram conformados, enquanto a estrutura interior não era homogénea. O enchimento era feito com restos de pedra e terra, sendo essencial monitorizar eventuais fissuras nos arcos.

O forte das Baterias, um dos quatro que podem ser visitados no passeio pedestre “Pela Linha da Defesa”, é um dos locais em que melhor se avista a ponte e o enquadramento no relevo da paisagem. Outra imagem obtém-se a partir da Cerejeira, a escassos quilómetros do tabuleiro.

Ponte da Pedreira

O silêncio é cortado apenas pela água que corre na ribeira da Fróia. As casas de pedra estão vazias, sem gente a encher os dias, e muitas foram vencidas pelo tempo e pela ruína. A aldeia de Pedreira, na freguesia de Sobreira Formosa, já não tem moradores, mas compensa em beleza o que falta em gente.

Encaixado num vale, em torno da ribeira, o casario é dominado pelo xisto, o mesmo material usado na ponte que atravessa a aldeia, em terra batida. Um único arco sustenta a estrutura e na margem esquerda os muros prosseguem para lá do traçado da ponte, formando uma linha de continuidade com a parede rochosa.

Nessa mesma margem, do lado oposto da ponte, um conjunto de antigos moinhos quase em ruína mantém as canalizações em madeira que no passado aproveitavam a força da corrente. A contrastar com o tom escuro do xisto, a paisagem é dominada pelo verde e o leito da ribeira é cortado por rochas arredondadas, desgastadas pela passagem da água.

A Pedreira, que deve o seu nome ao facto de ali se ir buscar pedra para a construção de casas em Sobreira Formosa, foi sempre um aglomerado de pequena dimensão. Na monografia que se mantém como um dos mais completos retratos do concelho, o Pe. Manuel Catharino indica que a aldeia dispunha de apenas 14 fogos em 1930, apresentando uma variação mínima em relação ao levantamento de 1911 (ano em que teria 13 fogos).

Apesar de em linha reta se situar a poucos quilómetros da sede de freguesia, a orografia do terreno tornava difíceis os acessos à aldeia, só recentemente servida por um caminho de alcatrão. A abertura da estrada nacional 351 chegou tardiamente, quando na Pedreira quase só há movimento de passagem.

As modernas pontes e viadutos da nova estrada estão muito perto, mas parecem longe. Ao caminhar sobre a ponte estreita, onde cabe um único veículo de cada vez, é fácil imaginar carroças carregadas de cereais e de hortícolas. Ou mulheres com cestos carregados à cabeça. O silêncio fala e convida a ficar por ali. 

 Ponte da Relva da Louça

Vista a partir da estrada, parece um simples muro, desinteressante nas suas riscas amarelas e pretas. É preciso parar e olhar de baixo a ponte batizada com o nome da aldeia mais próxima – Relva da Louça – para se perceber a altura do seu arco único e o encaixe perfeito das pedras com que foi construída, sobre a ribeira da Freixada.

Embora tenha sido alcatroada apenas na segunda metade do século XX, a estrada que liga Proença-a-Nova ao Vale Serrão, cruzando as povoações do Galisteu e Relva da Louça, foi construída entre 1874 e 1879, para que Proença-a-Nova tivesse, além do Vale d’Urso, outro ponto de acesso à então classificada como estrada nº 10, que fazia a ligação entre Castelo Branco e Abrantes.

A construção do troço foi aprovada na sessão de câmara de 11 de maio de 1971, com um traçado ligeiramente diferente do que acabou por ser o final: é que “os povos dos Galisteus opuseram-se” a que a estrada passasse mais próxima da aldeia.

A obra fez-se em duas fases, sendo o primeiro lanço, de apenas 1,2 km, concluído em setembro de 1874. Segundo está documentado na monografia da autoria do Pe. Manuel Alves Catharino, esse primeiro troço custou cerca de 2,5 milhões de réis, iniciando-se de imediato a construção do segundo lanço, com um comprimento de 4,2 km e um custo de quase 9 milhões. O governo comparticipou um terço do valor total do ramal. Na mesma altura foi também construída a escadaria da fonte das Azinharias.

A estrada nº 10 era, à época, a principal via que cruzava o concelho e a que era servida por mais transportes públicos. A necessidade de facilitar o acesso das camionetas à vila de Proença-a-Nova levou a sucessivos melhoramentos na estrada municipal do Galisteu e Relva da Louça, como descreve mais uma vez o Pe. Manuel Catharino: “Este ramal que era um autêntico aleijão foi modificado pelas comissões administrativas da Ditadura Militar, de maneira a poder fazer-se por ele o serviço de camionagem que até então lhe era defeso.”

Alcatroada na segunda metade do século passado, a estrada foi durante algumas décadas muito usada no acesso à EN 241-1, mas a construção do IC8 desviou quase por completo a circulação. A solitária ponte é hoje usada quase exclusivamente para acesso a terrenos agrícolas nas imediações e pelos habitantes de Relva da Louça e Galisteus.

 Ponte do Vale d'Urso

Para que a memória não se perca, a data está inscrita em dois blocos de granito, colocados frente a frente nos muros interiores da ponte: 31 do 12 de 1865. Imagem de marca do Vale d’Urso, a ponte alta e elegante foi construída já depois de terminado o reinado de D. Maria II, mas continua a ser associada à monarca, uma vez que se insere na sequência de travessias criadas ao longo da chamada Estrada Real, que ligava Castelo Branco a Proença-a-Nova, seguindo depois rumo a Abrantes e Lisboa.

Construídas no sentido Castelo Branco / Proença, as pontes sobre os rios Ocreza, Alvito e ribeira do Vale d’Urso estão separadas por poucos anos de diferença e seguem a mesma estrutura e técnicas. A terceira é a que revela melhor conservação, tendo sofrido intervenções posteriores. E destaca-se pela altura dos seus três arcos, que de certa forma a torna mais elegante. Os contrafortes mantêm-se intactos, até porque o caudal reduzido da ribeira limita a força da corrente.

A poucos metros do início do tabuleiro, a antiga casa dos cantoneiros observa a ponte, sem escapar ao abandono. Património do Estado, é uma testemunha do período de construção da infraestrutura. Do lado contrário da ribeira situava-se a antiga casa de mudas ou estalagem, onde funcionou até muito recentemente o restaurante Famado. Sinais de um movimento que noutros tempos fazia da estrada um circuito privilegiado na Beira Baixa.

Não é por acaso que os vestígios da linha militar defensiva da região acompanham as principais pontes dessa zona do concelho. O Forte e Bateria das Batarias, na Catraia, tinha três canhoeiras apontadas para a ponte do Alvito. Na Fróia existiam quatro baterias mais frágeis, de apoio à retirada das tropas. Junto ao Vale d’Urso situavam-se as últimas estruturas de apoio à saída para Abrantes, simples trincheiras que tinham como objetivo atrasar a passagem das tropas inimigas.

Ao contrário da ponte do Alvito, em que pequenos seixos de xisto colocados transversalmente nas guardas laterais mediam as oscilações ou deformações na estrutura, no Vale d’Urso veem-se já uniões em ferro. Nas pontes deste período, só os arcos exteriores eram conformados, enquanto na estrutura interior o enchimento era feito com restos de pedra e terra, sendo necessário monitorizar eventuais fissuras.

Até há poucos anos, era junto à ponte, na água gelada da ribeira, que as mulheres iam lavar as tripas quando matavam o porco. A matança é uma tradição cada vez mais rara e hoje pouco são usados os carreiros que atravessam as hortas até à linha de água. Deixou também de haver rebanhos a pastar nas encostas e as ervas e arbustos multiplicam-se, mesmo no leito da ribeira. O destaque da ponte, com o fino rebordo amarelo no topo, esse mantém-se intacto, nas boas vindas que dá a quem passa.

 Ponte Filipina do Malhadal

Um único arco, bem preservado e com os topos assentes nas duas margens da ribeira da Isna, forma a ponte filipina que se destaca junto à praia fluvial do Malhadal. O enquadramento é uma das mais-valias da estrutura, encaixada a meio caminho entre a ponte nova que liga os concelhos de Proença-a-Nova e Sertã e o paredão da represa. No verão a corrente é reduzida e atravessa-se facilmente a ribeira saltando sobre as pedras deixadas a descoberto pelo calor. Quando chega o inverno, a ponte em xisto é emoldurada pela queda de água, a montante.

Embora haja dúvidas quanto à datação, supõe-se que a ponte do Malhadal esteja integrada num conjunto de redes viárias desenvolvidas ao longo dos séculos XVI e XVII. O tabuleiro é hoje uma sobreposição de camadas e arranjos feitos ao longo dos anos, com pequenas mesas improvisadas sobre os marcos de pedra cravados na travessia e arranjos retangulares ao longo de ambas as paredes.

Percorrendo o tabuleiro imagina-se a importância que no passado a pequena ponte teve a nível local. Mas é mais interessante observá-la de baixo, junto à linha de água. Enquanto na margem direita, do lado do concelho de Proença-a-Nova, a base sobre a qual assenta o arco parece quase frágil – uma linha de pedras cuidadosamente distribuídas sobre o leito da ribeira -, na margem esquerda o pilar aproveitou-se de uma grande formação rochosa. A rocha acaba por se assumir como um prolongamento da construção que sobre ela foi feita.

A visão que hoje temos da ponte é inseparável da praia fluvial, sendo muitas vezes observada a partir da passagem pedonal da represa. Os dois elementos, ponte e praia, foram em 2010 selecionados como duas das maravilhas do concelho, numa iniciativa promovida por um grupo de alunos da Escola Pedro da Fonseca.

Para dar a conhecer os locais e monumentos mais emblemáticos, no âmbito da disciplina Área de Projeto, foi criado um site de divulgação e votação, tendo igualmente sido aceites votos em caixas espalhadas pela população. No lote dos sete locais eleitos foi selecionada, além da ponte filipina do Malhadal, a ponte romana de São Pedro, sobre a ribeira da Pracana. Juntamente com as três já destacadas, as outras maravilhas vencedoras foram o arco da Moita, o cruzeiro de Proença-a-Nova, o moinho de vento do Pergulho e as Portas do Almourão.

 Ponte da Fróia

Todos os dias é cruzada por centenas de carros, mas é uma das pontes mais discretas da linha formada a partir da ribeira do Alvito, cruzando as freguesias de Montes da Senhora, Sobreira Formosa e Proença, até ao Vale d’Urso. As infraestruturas desta via foram sendo construídas de forma sequencial no reinado de D. Maria I, à medida que ia progredindo a chamada Estrada Real, que ligava Castelo Branco a Proença.

A entrada no concelho sobre a ribeira do Alvito ficou concluída em meados do século XIX e a ponte sobre o Vale d’Urso seria inaugurada em 1865. Pelo meio ficaria uma prolongada discussão sobre o rumo que a estrada deveria tomar em direção a Abrantes. Em junho de 1861, a Câmara Municipal reuniu-se em sessão extraordinária, para tentar unir forças contra as diretrizes que chegavam de Lisboa.

Defendiam os autarcas da altura que o traçado deveria contemplar a passagem por Cardigos e Vila de Rei, por servir mais populações e evitar despesas futuras com novos ramais. Mas as caraterísticas do terreno no traçado que viria a prevalecer, mais plano e a facilitar a obra, deitaram por terra as aspirações da Câmara Municipal.

Na monografia do Pe. Manuel Catharino, é apontada a lista de pontes da então classificada Estrada 10: “Alvito, Fróia, Pucariço, Vale Dusso, Vale Sarrão e Meijão Frio”. Se de outras pontes são indicados pormenores relacionados com as circunstâncias da construção, quanto à Fróia não há mais que a breve referência à localização.

Ao mesmo tempo que desbravavam caminho, facilitando a circulação em pontos até aí de difícil acesso, as pontes acabavam por assinalar as portas escolhidas pelas tropas inimigas sempre que o território era invadido. Não é por acaso que os vestígios da linha militar defensiva da região acompanham as principais pontes: o Forte e Bateria das Batarias, na Catraia, tinha três canhoeiras apontadas para a ponte do Alvito e na Fróia existiam quatro baterias mais frágeis, de apoio à retirada das tropas. Junto ao Vale d’Urso situavam-se as últimas estruturas de apoio à saída para Abrantes, simples trincheiras que tinham como objetivo atrasar a passagem das tropas inimigas.

Com três arcos circulares – o central de maiores dimensões que os dois laterais -, a ponte da Fróia partilha com as suas contemporâneas as caraterísticas construtivas. O xisto é a matéria-prima dominante e só os arcos exteriores eram conformados, enquanto a estrutura interior não era homogénea. O enchimento era feito com restos de pedra e terra, sendo essencial monitorizar eventuais fissuras nos arcos.

 Ponte do Vale d'Água

O caudal da ribeira do Vale d’Água parece pequeno, mas em períodos de chuva atravessá-la não era tão fácil como parece. Nas primeiras décadas do século XX não existia ainda escola primária no Pergulho – construída durante o Plano dos Centenários, o projeto de construção de escolas em larga escala, levado a cabo pelo Estado Novo entre 1941 e 1974 – e as crianças desta aldeia e da Murteira deslocavam-se todos os dias a pé para o Vale d’Água.

Para fazer a travessia da ribeira, era utilizada uma frágil ponte de madeira – pouco mais do que meia dúzia de troncos alinhados. As histórias sobre a fragilidade da estrutura e o medo que muitas crianças sentiam ao fazer aquele caminho, durante o inverno, subsistiram mesmo entre quem já não chegou a conhecer a improvisada ponte.

Preocupada com o risco de um acidente, a população decide deitar mãos à obra e é pela mão de José Maria “Pedreiro”, da Murteira, que se faz uma ponte em pedra. Apesar da pequena dimensão, a estrutura acaba por rasgar o isolamento entre aldeias separadas por apenas 2,3 quilómetros, passando a permitir a passagem de carroças e até, mais tarde, de viaturas automóveis.

Formada por um pequeno arco em xisto, com dois pequenos muros laterais, a ponte foi pavimentada com lajes de xisto e pequenos seixos colocados transversalmente, com uma inclinação que assegurava o escoamento natural das águas pluviais. Nas duas guardas laterais, pequenas aberturas quadrangulares completavam esse papel de escoamento, acabando por contribuir também para embelezar a pequena travessia.

A construção da nova estrada, na década de 70, desvia a estrada para escassos metros de distância, deixando a ponte de pedra em repouso, usada apenas para acesso a propriedades agrícolas. A via está atualmente a sofrer uma nova intervenção, com limpeza das valetas e repavimentação.

O despovoamento das aldeias contribui para que hoje se tenha diluído a forte ligação entre as duas aldeias, mas perduram lendas que dão conta das trocas e rivalidades. É o caso da história associada à construção da capela do Pergulho. Conta-se que os moradores do Vale d’Água queriam que fosse construída uma igreja na aldeia, por ser a povoação mais central – argumento que vingou para a escolha da localização da escola.

Nessa altura, um boi que era muito disputado pelos agricultores, porque se dizia que a forragem crescia mais onde ele ia pastar, comeu uma erva venenosa que o deixou quase morto. O dono do carro, ao passar junto à fonte do Pergulho, disse que se o boi sobrevivesse acarretaria a pedra necessária à construção da igreja. Assim terá acontecido e nasceu a capela dedicada a São Marcos, junto da qual durante décadas os agricultores levavam o gado, pela crença de que assim ficaria protegido.

 
MOINHOS DE ÁGUA E DE VENTO

Os moinhos eram uma das infraestruturas mais comuns, principalmente de água, localizados junto às ribeiras que atravessam o concelho. Normalmente eram propriedade de privados mas com utilização alargada a quem possuísse um quinhão – uma parcela de tempo – que depois era passada em herança aos descendentes. A maior parte deste património deixou de ser utilizado e está em ruína.

Localidade

Monumento

Propriedade

 Galisteu

 Moinho de Água

 

 Foz do Pereiro

 Moinho de Água

 Particular

 Maljoga

 Moinho de Água

 Associação

 Pedra do Altar

 Moinho de Água dos Carvalhos

 Junta de Freguesia de Proença-a-Nova e Peral

 Pergulho 

 Moinho de Vento

 Associação de Produtores Florestais de Proença-a-Nova

 São Pedro do Esteval

 Moinho de Água

 

 Vale d´Urso

 Moinho de Água

 

 

FORNOS COMUNITÁRIOS, FONTANÁRIOS E FONTES DE MERGULHO

A vida comunitária nas aldeias pautava-se pela entreajuda em algumas tarefas, como nas malhas ou na desfolhada, e ainda pela existência de equipamentos partilhados, como os fornos, as fontes (única forma de abastecimento de água) ou ainda as fontes de mergulho.

Localidade

Monumento

 Alvito da Beira

Fontanário

 Atalaia Estevão Vaz

Forno Comunitário

 Carregais

Forno Comunitário

 Carregal

Forno Comunitário

 Casal da Ribeira

Forno Comunitário

 Casalinho

Forno Comunitário

 Castanheira

Forno Comunitário

 Catraia Cimeira

Fontanário

 Cerejeira

Fontanário  

Forno Comunitário

 Chão do Galego

Forno Comunitário

 Chão Redondo

Forno Comunitário

 Cimadas Cimeiras

Fontanário

 Corgas

Fontanário

 Cunqueiros

Fonte de Mergulho

 Ferraria

Forno Comunitário

 Figueira

Forno Comunitário

 Fróia

Fontanário

 Galisteu Fundeiro

Fontanário  

Forno Comunitário

 Giesteiras Fundeiras

Forno Comunitário

 Lameira

Fontanário

 Lameira d´Ordem

Fonte de Mergulho

 Mó

Forno Comunitário

 Moita Mateus Alves

Forno comunitário

 Monte de Baixo

Forno Comunitário

 Monte de Cima

Fontanários

 Monte de Trigo

Fonte de Mergulho

 Murteirinha

Fonte de Mergulho

 Oliveiras

Forno Comunitário

 Penafalcão

Fontanário

 Picoteira do Monte

Forno Comunitário

 Rabacinas

Forno Comunitário 

Fontanário

 Sarzedinha

Fontanário

 Sobrainho dos Gaios

Fontanário  

Fonte de Mergulho  

Forno Comunitário

 Vale da Ursa

Forno Comunitário

 Vales 

Fontanário  

Forno Comunitário

 Venda

Forno Comunitário