Lendas

   

 

São muitas as lendas e histórias populares que se contam um pouco por todo o concelho, mas nem sempre com implantação ou versões coincidentes de localidade para localidade. As aqui indicadas são apenas uma seleção do vasto património oral disperso por diferentes publicações, podendo ser encontrados mais pormenores no fundo local da Biblioteca Municipal.

 

 LENDA DA CORTIÇADA
Nos tempos em que existia em Proença-a-Nova grande quantidade de cortiça, um grupo de habitantes decidiu fazer uma torre que os levasse até à lua. Começaram a reunir e a empilhar cortiços sobre cortiços, subindo cada vez em direção à meta. Quando já muito tinham trabalhado e estavam quase a atingir o objetivo, faltando colocar apenas um último pedaço, aperceberam-se que tinham esgotado toda a cortiça disponível e mesmo depois de percorrerem o concelho não conseguiram encontrar mais.
Depois de muito pensar, um deles pensou ter encontrado a solução:
- Já sei! Tiramos o cortiço do fundo e colocamo-lo em cima, a terminar a torre.
Assim fizeram e claro que a torre de imediato se desmoronou.
Uma segunda parte da lenda retrata uma certa rivalidade que sempre existiu entre Proença e Sobreira Formosa, que chegou a ser sede de concelho. Ao ver a queda da torre, um dos que estava no cimo da pilha gritou de imediato:
- Eh rapazes, aí vai a cortiçada a caminho da Sobreira!
Ficaram então os habitantes de Proença-a-Nova conhecidos como Cortiçolas e os da Sobreira como Cascorros (designação dada à pior parte da cortiça). Durante muito tempo Proença-a-Nova foi conhecida como Cortiçada.
 LENDA DA BURACA DA MOURA
Diz a lenda que os mouros, quando foram expulsos da região, se esconderam nos buracos escavados nos penhascos que ladeiam a aldeia de Chão do Galego. Assim teriam sobrevivido por muito tempo, sendo a última habitante da gruta uma moura que todas as manhãs se penteava à entrada. Era lá que os pastores a viam e conversavam com ela.
- Olhem lá, qual é o mais bonito, o meu ouro ou o meu cabelo?, costumava perguntar-lhes.
Se eles respondiam que era o ouro, ficava zangada e não lhes dava nada. Mas se lhe elogiavam o cabelo recebiam uma caixinha com carvões e, no dia seguinte, em vez de carvão encontravam bocadinhos de ouro. Por baixo da “Buraca da Moura” haveria, segundo a lenda, um corredor subterrâneo através do qual ela iria buscar água ao pego do Almourão.
 LENDA DA SOBREIRA FORMOSA
A tradição atribui o nome a um episódio perdido no tempo, num dia em que três raparigas bonitas estariam a fiar e conversar à sombra de um sobreiro, quando por ali passou um visitante. Apontando uma delas, o desconhecido terá repetidas vezes admirado a sua beleza, dizendo o quanto era formosa. O caso tornou-se conhecido e fez eco das palavras sobreira e formosa, originando o nome com que a terra foi batizada.
Outra versão conta que o nome da freguesia provém de uma sobreira que sobressaía entre todas as outras que existiam em grande número na região. Mais frondosa e formosa que as restantes, a referida árvore, no local do atual adro da igreja, servia de abrigo aos visitantes que sob os seus ramos descansavam e se protegiam da chuva e do sol. À sua volta foram sendo construídas as casas que, com o passar dos tempos, originaram a povoação.
 LENDA DO ARCO DA MOITA
Conta-se que um rapaz do Espinho ia à escola a Proença e descia a pé o Vale Fagundes, naquele tempo muito temido por causa dos “medos”. Como a distância até à escola era muita, o garoto passava no local de madrugada e, ao final do dia, já noite cerrada. A maior parte dos dias chorava com medo e queria desistir de ir à escola.
Uma noite, apareceu-lhe uma senhora vestida de branco, que o aconselhou a ter coragem e a ser persistente no estudo, porque um dia haveria de ser padre. Daí para diante, o rapaz não voltou a ter medo nem desistiu de ir à escola, prometendo que se um dia fosse mesmo padre construiria no local um arco de pedra, para recordar aquela aparição.
Assim teria nascido o Arco da Moita, que ao longo dos tempos foi assinalando o cruzamento da estrada principal com a via que conduz ao Vale das Balsas. Depois de ter sofrido alterações de localização, o arco foi recentemente removido devido às obras de construção do IC8, voltando ao que seria o seu local de origem.
 LENDA DA CRUZ DO SANTO LENHO
Durante a primeira Invasão Francesa, um batalhão comandado pelo cruel Loison, permaneceu 37 dias em Proença-a-Nova. Os soldados franceses teriam conseguido apanhar a pesada cruz de prata que contém a relíquia do Santo Lenho, oferecida à vila pelo filósofo quinhentista Pedro da Fonseca. Milagrosamente, a prata ter-se-á transformado em lata e os soldados deixaram-na para trás, por julgarem que não tinha valor.