Proença-a-Nova integra rede europeia de territórios resineiros

O Município de Proença-a-Nova irá integrar a Rede Europeia de Territórios Resineiros, no âmbito do projeto Sust-Forest do Interreg Sudoe, uma iniciativa comunitária relativa à cooperação transnacional sobre o ordenamento do território e desenvolvimento regional e que envolve Portugal, Espanha e França. O objetivo de SUST-FOREST é manter a extração da resina como aproveitamento florestal rentável que contribua para o emprego rural, a conservação do território e dos pinhais do espaço Sudoeste Europeu e Mediterrâneo. A apresentação desta rede de cooperação decorreu no dia 8 de maio em Valladolid, Espanha, onde o presidente da Câmara Municipal, João Lobo, participou e onde destacou a recuperação da fileira resineira, que atualmente transforma 300 000 toneladas por ano, sendo que menos de 10 por cento da matéria-prima é europeia e onde a China e o Brasil são os maiores produtores mundiais.  “A exploração da resina promove uma gestão da floresta ao nível da limpeza e da gestão de combustível, leva pessoas para a floresta, fazendo com que assumam também um papel de vigilantes na defesa contra incêndios, nomeadamente nos meses críticos que coincidem com a campanha da resina, contribui para a conservação da paisagem e para a criação de emprego em zonas rurais como a nossa”, afirmou João Lobo nesta conferência. No entanto, um dos maiores entraves à recuperação da resinagem apresentado pelo autarca é o fato de “a rentabilidade ser baixa, pois os serviços que presta à sociedade não se pagam, ou seja, a viabilidade efetiva para o produtor é muito inferior à vantagem económica real para a sociedade. Além disso, a resina nunca foi valorizada nas políticas públicas europeias, nomeadamente na Política Agrícola Comum”, acrescentou. Neste sentido, “esta rede europeia irá coordenar os trabalhos para garantir uma pressão política construtiva, estruturada e contínua que defenda os interesses em toda a cadeia de valor no setor da resina europeu, a começar pela produção florestal no espaço Sudoeste Europeu e Mediterrâneo, envolvendo os proprietários, a indústria, a investigação e as instituições públicas, adaptando as políticas em função das características de cada território”, reforçou o presidente da Câmara Municipal. No âmbito desta colaboração europeia, em junho do próximo ano Proença-a-Nova receberá o Congresso Internacional da Rede Europeia de Territórios Resineiros.

Portugal foi um dos três maiores produtores mundiais de resina nos anos 80, entrando em declínio devido à concorrência brasileira e chinesa, mas que atualmente apresenta alguns sinais de recuperação. Atualmente, Portugal é um dos maiores importadores de resina do Brasil e da China, pois apesar de Portugal ter deixado de produzir, a indústria de transformação que depende desta matéria-prima manteve-se, passando a consumir resina importada.  

Em Portugal, a Resipinus - Associação de Destiladores e Exploradores de Resina - está a trabalhar no sentido de profissionalizar este setor que em Portugal apresenta várias dificuldades, nomeadamente a escassa formação técnica, o desconhecimento das pessoas ao nível das inúmeras aplicações industriais da resina e a diminuição significativa da área de pinhal, consequência dos incêndios florestais e da plantação abusiva de eucalipto. Para a associação, a floresta tem de ser encarada como uma fonte de rendimento multissetorial, uma das principais conclusões da palestra da Resipinus que aconteceu no Centro Ciência Viva da Floresta, no dia 21 de abril e que integrou a programação do Ano Municipal da Floresta – Proença-A-Nova Floresta De acordo com o responsável desta associação, “a floresta tem de viver de vários produtos e não só da madeira, isto porque estar dependente só de um produto é limitativo em caso de incêndio, por exemplo, perde-se o rendimento que demora anos a recuperar”.  A próxima ação do Ano Municipal da Floresta acontecerá a 24 de maio com a entrega de árvores de espécies autóctones aos deputados da Assembleia da República.

2018-05-09