Gestão profissionalizada é fundamental para garantir sustentabilidade futura da floresta

A sustentabilidade futura dos recursos florestais – que são finitos – está dependente de uma gestão profissionalizada: esta foi uma das ideias chave transmitida durante a conferência “Floresta, Fonte Inesgotável de Riqueza” que se realizou esta sexta-feira, 9 de junho, no dia inicial da Festa do Município. É esta gestão - que implica organização e planeamento - que também permite tirar uma maior rentabilidade deste recurso ao mesmo tempo que se protege o ecossistema. As Zonas de Intervenção Florestal e as Entidades de Gestão Florestal são, nesse sentido, importantes ferramentas de gestão que tem de ser certificada. “Temos apenas 10% da nossa área florestal certificada”, avançou o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Amândio Torres, no encerramento da conferência, o que equivale a 300 mil hectares certificados num total superior a 3 milhões de hectares.

O governante anunciou para esta segunda-feira, 12 de junho, a abertura de dois avisos, ambos no valor de nove milhões de euros: um para a regeneração do pinheiro bravo e outro para a substituição de eucaliptais velhos e com baixa produtividade. “Os recursos naturais não são eternos, temos de ter capacidade produtiva e ecossistemas cada vez mais resilientes e temos que balancear sempre entre o fator económico e o fator da viabilidade do ecossistema onde desenvolvemos a nossa economia. Se o fizermos, creio que o tema desta conferência de hoje, que dizia uma fonte inesgotável de riqueza, vai ser verdade, mas deve ser uma fonte inesgotável de riqueza não para ninguém em particular mas para o coletivo, para as pessoas e para a nossa sociedade. Se fizermos isto estamos a fazer aquilo que nos compete fazer enquanto seres vivos neste planeta”, concluiu.

No discurso de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo, falou da necessidade de haver escala no negócio da floresta. “Numa parcela minifundiária como é a nossa, em que temos no concelho de Proença-a-Nova uma matriz fundiária de 0,3 hectares, temos todos - incluindo o Município em primeira linha - de promover uma gestão que seja profissionalizante num espaço maior para, de facto, ganharmos escala e criarmos valor para os proprietários. Mas isso não se faz sem diplomas legais que ajudem os proprietários e que valorizem os seus terrenos”, referiu. Desta forma, será possível voltar a retirar riqueza da floresta que ocupa 80% da área do concelho. Havendo margem para crescer, é preciso também dar novas roupagens a esta exploração, como centrais de biomassa, sequestro de carbono, turismo de natureza e proteção da biodiversidade. “Estes são alguns dos ativos que não podemos perder e que temos que reclamar, nós que estamos nestes territórios, relativamente ao todo nacional”, considerou João Lobo.

Com cerca de cem participantes, 15 oradores e três moderadores, a conferência abordou diversos temas, divididos em três painéis: o ordenamento e legislação, o potencial das espécies florestais (dando ênfase ao pinheiro manso, medronheiro, resinagem e paulownia) e as valências económicas da floresta (abordando o turismo, a cinegética, a caprinocultura, a gastronomia, a apicultura e o design). Especialistas de diversas áreas deram o seu contributo relativamente a caminhos de exploração deste recurso, diversificando as atividades e permitindo simultaneamente a exploração económica e a proteção do ecossistema. 

2017-06-12