Centro Ciência Viva da Floresta promove palestra sobre paulownia tomentosa

Numa altura em que a floresta está na ordem do dia e em que é necessário proceder à reflorestação das áreas ardidas, o Centro Ciência Viva da Floresta promoveu a palestra “Paulownia, a árvore do futuro?”, realizada no auditório Mariano Gago no dia 11 de novembro, com o objetivo de dar a conhecer este género de árvores com origem na Ásia oriental. José Bernardino, engenheiro florestal, especifica que a paulownia tomentosa é a única que se enquadra no Decreto-Lei n.º 565/99 de 21 de dezembro, sobre a introdução de espécies não indígenas em Portugal. “A paulownia é uma das espécies que podemos equacionar e preparar numa região como esta, ainda por cima sabendo nós dos problemas sanitários que as outras espécies têm e das áreas ardidas que tivemos”. Na sua perspetiva, pode ser uma boa solução para plantar nas zonas de proteção dos aglomerados populacionais, na rede primária ou nos terrenos agrícolas abandonados. “É uma planta que podemos usar para compartimentar as grandes manchas florestais de pinheiros e eucaliptos”, salientou, até porque, face à área ardida, é necessário “começar a estruturar o espaço e a compartimentar as espécies tradicionais para minimizar as condições de propagação de incêndios que temos tido e esta é uma espécie que pode ser aproveitada”.

Adicionalmente, há também as motivações económicas para escolher a paulownia, já que a sua madeira é bastante utilizada em vários países europeus, nos mais variados setores industriais, desde fabrico de painéis, móveis, pranchas de surf e também na indústria aeroespacial e naval. As folhas constituem também suplemento alimentar para os animais e a própria planta pode ser utilizada com objetivos ornamentais ou para o mercado da biomassa. “Neste momento, como é uma espécie exótica e nova, não tem ainda qualquer problema sanitário. Não quer dizer que não venha a ter”, referiu José Bernardino, alertando para o nemátodo do pinheiro ou o gorgulho no eucalipto, entre outros problemas fitossanitários que estas espécies enfrentam.

Com 76 participantes, nesta palestra foram ainda passados alguns conselhos úteis para quem pretende investir na paulownia tomentosa, o primeiro dos quais o licenciamento da plantação, seja em ações de arborização ou rearborização, conforme determinado na lei 77/2017 de no 17 agosto que entrará em vigor em fevereiro de 2018. A melhor época para a plantação no distrito de Castelo Branco é no outono e a presença de água será determinante nos primeiros meses de vida da árvore. “Nesta região a agua poderá ser considerado o maior fator limitante ao crescimento e, por isso, quando plantada em condições adequadas a resposta da planta pode ser muito interessante”, salienta José Bernardino. A paulownia adulta pode atingir os 20 metros de altura e pode ser cortada por volta dos oito – dez anos.

2017-11-17