CCV da Floresta promove passeio micológico

O Centro Ciência Viva da Floresta dinamiza, este domingo – 4 de dezembro, um passeio micológico com José Luís Gravito Henriques, autor de “Cogumelos Silvestres de Portugal de Interesse em Conhecer”, em que o objetivo é identificar as espécies recolhidas e divulgar boas práticas para a colheita e o consumo de cogumelos. A temperatura e a humidade típicas do outono criam as condições ideais para o aparecimento e proliferação de cogumelos de várias espécies nos solos do pinhal. Este livro, editado com o apoio do CCV da Floresta - onde pode ser adquirido - e do Município de Proença-a-Nova, apresenta as espécies de cogumelos mais comuns na Beira Baixa e as suas características, incluindo se são comestíveis ou não, e propostas de receitas, elaboradas pelo Hotel das Amoras.

O desconhecimento dos cogumelos pode ser precisamente um dos fatores que impede que mais pessoas incorporem uma maior diversidade na sua alimentação ou que se dediquem à sua coleta. Algumas espécies podem provocar a morte e a maior parte dos problemas registados acontece devido a confusões com cogumelos vulgarmente conhecidos ao nível, por exemplo, do chapéu. Havendo cuidados redobrados na sua identificação, esta é uma atividade que tem todas as condições para proporcionar rendimentos acrescidos a quem tenha disponibilidade para os procurar. “Nalguns povoamentos florestais, a produção de espécies de cogumelos silvestres comestíveis chega a atingir, no seu conjunto, centenas de quilos por hectare. O seu aproveitamento pelos donos pode contribuir para um rendimento anual que, em muitas áreas, ultrapassa o valor proporcionado pela produção da madeira”, refere José Henriques.

Desde 1976 que a empresa Produtos Silvestres Gameiro se dedica à comercialização de cogumelos a granel para Espanha, França, Itália, entre outros mercados. Proença-a-Nova é um dos concelhos onde já está implementada há vários anos uma rede de fornecedores que se dedica à coleta de cogumelos, essencialmente instalados na zona sul. A norte, António Gameiro já tentou angariar pessoas que se dediquem a esta atividade mas sem sucesso. “Há por aí muito cogumelo a apodrecer que ninguém apanha e há produção para muitos mais se dedicarem a esta atividade”, revela o empresário. Há alturas do ano em que um quilo de cogumelos pode valer 15€, mas o valor está sempre dependente do mercado. “Quando atingem estes valores é sinal de que há pouca quantidade”. Os Cantharellus Cibarius, vulgarmente conhecidos por rapazinho, flor, canário ou crista de galo, são os que atingem os valores mais elevados. “Vivem em associação mutualista com as raízes de algumas folhosas ou resinosas”, explica José Henriques, e por isso existem apenas de forma espontânea nos locais chuvosos onde existem estas árvores.

Para além da venda a granel, António Gameiro tem o projeto de embalar cogumelos sempre que tiver excedente tendo em conta que há momentos do ano em que não lhe compensa vender a produção por o mercado internacional estar saturado. No pavilhão que tem no PEPA – Parque Empresarial de Proença-a-Nova (em fase final de instalação) irá desidratar cogumelos, conservá-los em frasco ou congela-los, de forma a acrescentar valor ao produto e a ter oferta durante todo o ano. Será seu objetivo começar a vender também para Portugal onde os cogumelos são procurados apenas pelos restaurantes de alguns hotéis. Quem se quiser iniciar na coleta de cogumelos pode contactar a empresa que explicará quais os cogumelos a apanhar e outras dúvidas que possam existir.

No seu livro, José Luís Gravito Henriques dá alguns conselhos sobre a forma como se deve fazer a coleta dos cogumelos, nomeadamente: não apanhar todos os cogumelos num dado local pois pode colocar em risco a sua manutenção; não apanhar cogumelos em fase inicial do seu desenvolvimento pois podem mais facilmente ser confundidos com espécies venenosas; apanhar a totalidade do cogumelo e limpá-lo no local da colheita pois pode proliferar a espécie por mais zonas; não os colocar dentro de sacos de plástico e apanhar apenas os que se têm a certeza de serem comestíveis: em caso de dúvida não consumir. Além disso, o autor aconselha a que não se apanhem cogumelos à beira da estrada ou perto de zonas poluídas ou onde haja atividade agroflorestal e pecuária intensiva pois os fungos absorvem facilmente substâncias prejudiciais à saúde humana.

É por isso fundamental que se mantenha a coleta de cogumelos em regiões pouco poluídas, como o concelho de Proença-a-Nova. “Os recursos micológicos existentes são mais um potencial fator de desenvolvimento, pelo que tem de se olhar com muito cuidado para a sua sustentabilidade. Também a temática dos cogumelos pode e deve ser mais bem aproveitada pelo país, associando a outros produtos e outras atividades locais, como contributo para a revitalização social, económica e ambiental do espaço rural”, conclui José Luís Gravito Henriques.

2016-11-29