Excedentes transformados para consumir nos meses frios

A prática de conservar alimentos excedentários para consumir nos meses em que não há tanta abundância na natureza é antiga; mesmo com a atual disponibilidade tecnológica para conservar alimentos por longos períodos de tempo, continua a ser importante transmitir informação sobre como transformar e manter excedentes utilizando produtos naturalmente conservantes como o sal ou o açúcar. Com as vagas disponíveis preenchidas, Mónica Pereira dinamizou a “Oficina de compotas, chutneys, vinagres e conservas de fruta” no Centro Ciência Viva da Floresta no dia 4 de novembro. “Desde a antiguidade, desde que o homem se conhece, que tenta preservar o que tem, por exemplo a caça ou a pesca, em salmoura ou em outras formas de conservação. O açúcar é uma forma de conservação e é muito difícil nós fazermos uma conserva light porque não vai durar e, efetivamente, nessa situação teremos que usar outro tipo de conservantes”, referiu a formadora enquanto retirava fruta acabada de cozer de uma panela. “Estamos a fazer compotas de marmelada e de outras frutas da época”, explicou. “A ideia é preservar durante o resto do ano aquilo que temos de excedentes do verão, para preservar o que temos de melhor”.

Utilizando métodos tradicionais na realização das compotas e dos outros produtos desenvolvidos, Mónica Pereira revela que há lugar para a inovação: “a ideia é irmos incluindo especiarias e ervas aromáticas que não são tão comuns e tão presentes nos sabores tradicionais, mas que temos na natureza e que podemos conjugar pois harmonizam-se muito bem”. Adicionalmente, a formadora explicou todos os passos para a preservação das compotas e das conservas pois existem vários problemas que podem ocorrer: “por exemplo, se deixarmos passar o ponto do açúcar ele pode cristalizar, ou se não atingirmos o ponto certo as conservas podem ganhar bolores, ou na parte da esterilização dos frascos. São coisas pequenas que geram dúvidas, as pessoas questionam-se e que quando corrigidas fazem a diferença”.

No final, os participantes nesta oficina levaram para casa um exemplar de cada compota, chutney, vinagre e conserva de fruta feita, depois de um dia com “a mão na fruta”.

2017-11-10