Documentário de Pedro Serra com antestreia em Proença-a-Nova

“Wasted Waste” – ou “Desperdício desperdiçado” – é o título do novo documentário do realizador Pedro Serra que foi apresentado em antestreia no auditório municipal de Proença-a-Nova, de onde é natural, este sábado, 4 de novembro. Durante mais de 1h20, o filme apresenta alguns números que sustentam o título (3,6 milhões de quilos de alimento são desperdiçados todos os dias: 1/3 da comida acaba no lixo) e apresenta histórias de pessoas que vivem da recolha do desperdício de outros: os freegans. “Freeganismo é um estilo de vida alternativo, conseguido através do consumo limitado e consciente dos recursos, bem como do salvamento de resíduos, numa sociedade que produz acima das suas necessidades”, revela Pedro Serra. No entanto, o realizador não se limita a fazer um retrato de uma sociedade consumista; aponta, de igual forma, soluções apresentadas por projetos como o Fruta Feia, Reefood, GoodAfter, entre outros, e também convida a que cada um olhe para o seu estilo de vida e veja que mudanças pode efetuar para reduzir o consumo e evitar o desperdício. “O objetivo é esse mesmo: consciencializar as pessoas para as pequenas coisas que podem fazer e que vão ter impacto no coletivo”, referiu Pedro Serra, “e não ficarem revoltadas contra as grandes cadeias ou as empresas pelo que fazem ou não fazem. As pessoas podem efetivamente tomar decisões que vão mudar o todo”.

Adicionalmente, o realizador considera que também é importante levantar questões e colocar o público a pensar e a discutir, por exemplo sobre o facto de as 800 milhões de pessoas que em todo o mundo passam fome poderem ser alimentadas com a comida que é desperdiçada. “No documentário falou-se da partilha dos excedentes, situação que em meios rurais como Proença-a-Nova era normal: uma pessoa tem uma horta e aquilo que cultiva a mais vai dar ao vizinho. Antigamente pouco se usava a moeda e colaboravam umas com as outras, dividiam o que tinham - esse método de subsistência era feito no coletivo”, acrescentou. Nas cidades, a dependência assenta nos grandes supermercados que, como referido no documentário, criam a ilusão de uma abundância irreal e nem sempre o consumidor tem consciência dos custos associados à produção de comida que vai para o lixo e que nem sequer é encaminhada para instituições de solidariedade social.

No final, o público presente na sala colocou questões a Pedro Serra, mostrando o interesse pelo tema. “O feedback está a ser a positivo. Como foi a primeira vez que exibi o documentário, estava um pouco receoso como é que ia ser aceite. Como tínhamos pessoas de várias faixas etárias e de diferentes atividades económicas, deu para testar como é que vai chegar às pessoas e acho que aceitaram muito bem”. Em “Desperdício desperdiçado”, Pedro Serra contou com a colaboração de Gil Henriques, músico de Proença-a-Nova, vocalista e guitarrista da banda Soul Brothers Empire, que foi responsável pela música. “Ele fez a minha primeira banda sonora original, tanto eu como ele discutíamos o que podíamos fazer e ele produzir ao olhar para o documentário foi uma experiência muito boa, principalmente por trabalharmos juntos e sermos amigos”. A expetativa agora é que o documentário seja exibido no maior número de salas possível, a nível nacional e internacional, e esperar que um dos canais de televisão o exiba - “a televisão é hoje o meio onde pode chegar a mais pessoas”, considera, sendo esse o seu maior objetivo. Até ao momento, já vários meios publicitaram as estreias agendadas para Lisboa a 18 de novembro e Porto a 25 de novembro (mais informações na página oficial do documentário).

Esta é a segunda longa metragem de Pedro Serra, autor de “Que Estranha Forma de Vida”, documentário que apresenta estilos de vida paralelos à sociedade que procuram viver em harmonia, com uma visão do futuro baseado na sustentabilidade e na cooperação entre o ser humano, animal e natureza.

2017-11-06